Eu sou e Você?

Muitas vezes me chamaram de louca. A princípio pode parecer estranho, mas se refletirmos melhor será que o louco somos nós? Então, me chamem de  louca . Como dizia Álvaro de Campos,” Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo direito de sê-lo. Com todo direito de sê-lo ouviram?” Louca por acreditar em outras convenções, em outros modos de vida, em outros gestos... O mundo é que está virado de ponta cabeça, já você, nada mais é que um simples admirador desse mundo, ou então, um louco fugindo dessa dita normalidade imposta. Louca por acreditar no impossível, viver no mundo da lua, e quem sabe tentar atingi-la com uma pedra, talvez. Sou uma maluca falando de amor, e pode acreditar, somos ainda muito sensíveis a ele. Não adianta dizer que superou, que é uma nova pessoa... Cada um sabe onde o sapato aperta e onde colocas a cabeça quando vai dormir, se é que ela está mesmo no travesseiro, muitas vezes está pensando e viajando em outro lugar ou cabeça. Os loucos por não serem tidos como normais, podem ameaçar mesmo que indiretamente à sociedade, justamente por fazermos o que a maioria não faz, mas que no fundo tem vontade de fazer, seja por falta de coragem, para manter aparências, isso mesmo, manter algo que VOCÊ não é e nunca foi, ou simplesmente para manter os status, o famoso status. Seja simples... fale coisas que te agradam, ande com pessoas que te façam dar aquela gargalhada que dói todo o maxilar, que te acrescentem, e quem sabe, sintas o famoso frio na barriga. Mas, não tenhas preconceitos, louco também é gente, às vezes pode até não fazer sentido, isso que é o genial, cada dia pode ser uma loucura diferente. A teoria de Kant dizia que tudo depende da forma como você observa “as coisas”, então, não existe regra, aguce seu lado crítico e seja você, mesmo que um louco.

 

Lorena Medeiros

Quando somos adolescentes, ficamos martelando na cabeça todos os dias, o que vou ser quando crescer? Acredito que não adianta muito ficar queimando o pouco do juízo que lhe é concebido. Eu por exemplo, cresci dentro de um estúdio de rádio, ouvindo meu pai todos os dias na rádio apontando o dedo para o homem da mesa de som para ele soltar a música de intervalo, nossa, sempre tive vontade de fazer aquele gesto, era tão fascinante. Desde já, achava um ambiente agradável, mal sabia eu que seria meu destino futuro. Adorava aquela sala toda forrada de espuma e fitas, sem falar naquele ar condicionado geladinho. Não posso esquecer também que aquela sala tinha um cheirinho bom, cheiro de fita guardada, de ambiente fechado, cheiro de rádio.

O tempo passou, e nunca tirei da idéia a vontade de seguir o jornalismo. Quando eu era adolescente, achava lindo quem apresentava os programas televisivos, como hoje faz muito bem a tão admirada Fátima Bernardes. Mas, com o passar do tempo, percebi que ser jornalista não é somente isso, é muito mais. A carga de responsabilidade que nos é encarregada é exorbitante. Jornalistas trabalham como “loucos”, tem hora de para tudo, tempo estimado para preparar uma matéria, tempo para passá-la para um computador, tempo para editá-la, enfim, tempo até para falar.

Você já imaginou o que está falando com várias pessoas ao mesmo tempo? E ver sua primeira matéria publicada em um jornal? Oh! Para quem gosta mesmo do que faz, é o mesmo que ganhar um Oscar. E a primeira entrevista? Nossa, me senti mais responsável, senti que estava contribuindo para a vida das pessoas. Ah, e a primeira vez que você vai ao ar? Bom, já sobre isso, sem palavras. É preciso muito treino, muita técnica, muita carga de responsabilidade, não é faltar expor o rostinho para todos vêem e observarem cada palavra que é falada.

Desafios, problemas, decepções, riscos, enfim, sempre haverá algo ou alguém para dizer que você não é capaz ou que não tens potencial para ser alguém. No mundo da comunicação, temos que aprender a conviver com concorrência acirrada, a maioria quer um lugar na mídia para mostrar o rosto ou até mesmo assinar o nome no jornal.

Sinto que muitos obstáculos estão por vir, mas, o importante é que eu já comecei a minha trajetória, e cada vez mais, sinto que é isso mesmo que eu quero para minha vida. Não será pouca coisa que me desvirtuara de minhas vontades.

Seja o que for, faça o que desejas!

Boa sorte!

Deixar de ser boba?

Alguém já te chamou de bobo? Calma, não se desespere, isso pode até ser bom, é pode ser.

Desfrute...

Das Vantagens de Ser Bobo - Clarice Lispector

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

  Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

  Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

  Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

  Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!  

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

  O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

  Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

  Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Início

Começando hoje uma nova fase, a fase blogueira. Incentivada pelo meu pai Geraldo Anízio, nesse blog irei debater sobre tudo. Partindo do pressuposto que sou uma futura jornalista, pretendo expor aqui meu lado crítico, reflexivo ou até mesmo sugestivo das "coisas". Espero que gostem, por que eu já estou gostando.

Boa sorte para mim.

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, NATAL, Mulher, de 20 a 25 anos