Muitas vezes me chamaram de louca. A princípio pode parecer estranho, mas se refletirmos melhor será que o louco somos nós? Então, me chamem de louca . Como dizia Álvaro de Campos,” Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo direito de sê-lo. Com todo direito de sê-lo ouviram?” Louca por acreditar em outras convenções, em outros modos de vida, em outros gestos... O mundo é que está virado de ponta cabeça, já você, nada mais é que um simples admirador desse mundo, ou então, um louco fugindo dessa dita normalidade imposta. Louca por acreditar no impossível, viver no mundo da lua, e quem sabe tentar atingi-la com uma pedra, talvez. Sou uma maluca falando de amor, e pode acreditar, somos ainda muito sensíveis a ele. Não adianta dizer que superou, que é uma nova pessoa... Cada um sabe onde o sapato aperta e onde colocas a cabeça quando vai dormir, se é que ela está mesmo no travesseiro, muitas vezes está pensando e viajando em outro lugar ou cabeça. Os loucos por não serem tidos como normais, podem ameaçar mesmo que indiretamente à sociedade, justamente por fazermos o que a maioria não faz, mas que no fundo tem vontade de fazer, seja por falta de coragem, para manter aparências, isso mesmo, manter algo que VOCÊ não é e nunca foi, ou simplesmente para manter os status, o famoso status. Seja simples... fale coisas que te agradam, ande com pessoas que te façam dar aquela gargalhada que dói todo o maxilar, que te acrescentem, e quem sabe, sintas o famoso frio na barriga. Mas, não tenhas preconceitos, louco também é gente, às vezes pode até não fazer sentido, isso que é o genial, cada dia pode ser uma loucura diferente. A teoria de Kant dizia que tudo depende da forma como você observa “as coisas”, então, não existe regra, aguce seu lado crítico e seja você, mesmo que um louco.
Lorena Medeiros
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